Monday, November 28, 2016

Uma Visão da Guerra do Vietnã

Uma Visão da Guerra do Vietnã

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, Sábado, 11 de Abril de 1998, caderno 1, páginas 6 e 7. (Editado[i])


            A Guerra do Vietnã teve início em 1945 e término em 1973. Durante esse período, vários conflitos militares ocorreram na região, com alguns momentos de trégua. Pela proximidade, o Laos e o Camboja também foram envolvidos no conflito desde o princípio. Inicialmente, a guerra tinha caráter colonial, mas, devido a crescente Guerra Fria e à situação política mundial, o conflito evoluiu para uma guerra civil. De um lado, as forças conservadoras apoiadas pelos Estados Unidos. Do outro lado, as forças comunistas apoiadas pela China e pela União Soviética.  A Guerra do Vietnã teve duas fases: o período francês, de 1945 a 1954, e o período estadunidense, de 1959 a 1973.

            O período francês teve início em 5 de outubro de 1945, quando o General Philipe Marie de Hauteclocque e suas tropas desembarcaram em Saigon, ocupado a metade sul do país. Não ocuparam o norte, pois, pela convenção de 6 de março de 1946, assinada por Ho Chi Minh e pelo representante da França em Hanói, Jean Sainteny, o governo provisório reconheceu a independência da República Democrática do Vietnã em relação à França e aprovou uma futura reunificação, mas exigia a presença de 15 mil homens em Hanói. Porém, o almirante francês Georges Thierry D’Angenlieu, nomeado pelo General De Gaulle, negociou o silêncio a transformação da Cochinchina (Sul do Vietnã do Sul) numa república autônoma, dando início, em 19 de dezembro de 1946, aos primeiros conflitos armados contra as forças francesas. A luta continuou nos anos seguintes, com alguns períodos de trégua.

            O conflito envolvendo o Vietnã do Sul e os Estados Unidos contra o Vietnã do Norte teve início em 1959, ano em que a guerrilha comunista do sul, os Vietcongues, aliada às tropas do Norte, retorna ao Vietnã do Sul com a missão de acabar com o governo pró-ocidente e reunificar o país. Em 1961, os EUA passam a se envolver no conflito, reforçando o regime anticomunista do Sul. O apoio dos EUA é a parte da Guerra Fria envolvendo a disputa do capitalismo estadunidense e o socialismo soviético pela hegemonia mundial.

            Um dos piores crimes de guerra ocorridos no Vietnã foi o episódio de My Lai.

            No dia 16 de Março de 1968, o Tenente Willian Calley Jr, comandava um pelotão de soldados do Exército dos EUA que invadiu o pequeno povoado de My Lai, no Vietnã do Sul, onde os estadunidenses desconfiavam haver grande quantidade de guerrilheiros Vietcongues. Como depois de revelou, 56 civis foram chacinados em 20 minutos naquele dia. Muitos deles eram mulheres e crianças de até dois anos de idade. Quando revelado em 30 de novembro de 1969, o acontecimento assombrou o público estadunidense. O episódio de My Lai ficou registrado na consciência nacional dos Estados Unidos como motivo de vergonha. Ajudou a alterar a opinião pública do país na direção do combate à presença estadunidense no Sudeste Asiático. Foi um das fontes de inspiração para o filme Platoon, de Oliver Stone. A ordem de Calley, que depois foi acusado de pessoalmente ter matado 109 pessoas, foi simples para os seus soldados: “Matem todos. São todos vietcongues. Não há nenhum civil inocente neste lugar.”

My Lay

            Até esse incidente, o tenente era considerado um jovem oficial exemplar. Calley foi levado à Corte Marcial em outubro de 1970. No julgamento, o operado de rádio do pelotão, Charles Sledge, disse que o tenente jogava mulheres e crianças em uma vala e depois metralhava. Ele e outras testemunhas afirmam não ter havido qualquer reação dos soldados. A defesa do tenente foi a tradicional nesse tipo de acusação: ele estava cumprindo ordens de seus superiores. “Eles eram todos inimigos. Todos tinham de ser destruídos”, disse ele em dramático testemunho, em 23 de fevereiro de 1971. “Eu fui ensinado a odiar todos os vietnamitas. Esta não é uma guerra em que se possa dar chicletes às crianças. Elas são perigosas, são excelentes plantadoras de minas”. Em 31 de março de 1971, ao fim da mais longa Corte Marcial da história do Exército dos Estados Unidos, Calley foi condenado à prisão perpétua com trabalhos forçados pelo assassinato de 20 civis.
Lt. Willian Calley Jr.

            O país ficou dividido em relação à sentença. Muitos conservadores consideraram a decisão injusta e diziam que Calley era um herói de guerra, que deveria ter sido promovido. O então presidente dos EUA, Richard Nixon, colocou Calley em liberdade enquanto seu recurso era julgado. Em agosto de 1971 a pena foi reduzida para 20 anos de prisão. Ele cumpriu menos de um terço da sentença e foi libertado. Nenhum de seus superiores foi punido. Calley agora vive em Columbus, Georgia, sul do país. Tem uma pequena joalheira, está casado e tem um filho. Recusa-se a falar com jornalistas ou comentar em público qualquer assunto relacionado com a Guerra do Vietnã[ii].

              O repórter que revelou ao mundo a chacina de My Lai, Seymor Horsh, da agência de notícias Dispatch News Services, ganhou o Prêmio Pulitzer de 1969 na categoria de reportagens internacionais.

            Apesar da superioridade bélica estadunidense, a Guerra do Vietnã representou a maior derrota militar da história dos EUA. Em 30 de abril de 1975, os estadunidenses viram pela TV, ao vivo, um tanque norte vietnamita arrombando o portão do palácio do governo da cidade de Saigon, hoje Ho Chi Minh. Horas antes, o embaixador de Washington em Saigon, Graham Martin, foi visto fugindo do prédio da embaixada, pelo telhado, num helicóptero, com a bandeira do país enrolada debaixo do braço. Não apenas o Vietnã está sob o controle de Hanói, mas também toda a Indochina, o Laos e o então Camboja (Kampuchea). Ainda que no Kampuchea houvesse uma guerra civil entre os comunistas e os locais, conhecidos pelo nome francês de Khmer Rouge, e os comunistas de Hanói. Os EUA forneceram armas e dinheiro para Pol Pot, o líder do Khmer, e lhe garantiu um assento na ONU. Mas é uma ação de retaguarda. A Indochina era seguramente comunista. Desde fevereiro de 1968, ninguém mais nos meios informados pelos EUA, acreditavam em vitória contra Hanói. O que deixou isso claro foi uma ofensiva no ano novo chinês, chamado de Tet no Vietnã, entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro. Os comunistas entraram até na embaixada dos Estados Unidos em Saigon. Foram repelidos. Os revanchistas e os revisionistas da guerra não se cansam se afirmar isso[iii].

            O que ficou evidente é que os insurretos tinham reserva de gente e munição para enfrentar e causar sérios estragos aos Estados Unidos, depois de três anos de uma escalada de Washington, de 1965 a 1968 e que, portanto, os comunistas não eram derrotáveis. Em dezembro de 1967, o General Willian Westmoreland tinha declarado às duas casas do Congresso que o inimigo não tinha mais condições sequer de montar uma ofensiva. Em janeiro e fevereiro de 1968 foi espetacularmente desmentido. Uma das ilusões que tem trânsito livre nas comemorações e nas lembranças da guerra é que os Estados Unidos começaram a intervir na Indochina há década de 60, no governo de John Kennedy que, escalaram no governo Lyndon Johnson, de 1963 a 1969, começando a retirar tropas no governo Richard Nixon, de 1969 a 1974, e concluindo esse processo em 1973. E que a derrota veio durante o governo de Gerald Ford entre 1974 e 1977.

            Isso é falso. Os Estados Unidos começaram a se envolver na Indochina em 1943, na Conferência de Teerã, na Segunda Guerra Mundial. A região estava sob controle japonês. Tóquio tinha entrado na guerra em 1941 e conquistou grande parte do Sudeste da Ásia. A França, em 1943, tinha um governo aliado a Hitler, Vichy. Os japoneses permitiram que na Indochina a França continuasse no poder. Havia também um governo nativo fantoche, do imperador Bao Daí. Um dos primeiros ministros de daí foi Ngo Dinh Dien, que fiaria famoso como representante dos Estados Unidos a partir de 1956. O governo das Estados Unidos, em 1943, de Franklin Delano Roosevelt, sabia da existência de um líder revolucionário comunista, Ho Chi Minh, que resistiu aos japoneses e que queria a independência também dos franceses.
Ho Chi Minh

            Ho Chi Minh apareceu em cena em 1919, na Conferência de Paz da Primeira Guerra Mundial, pedindo a independência da Indochina do domínio colonial francês. Foi ignorado. Roosevelt, em Teerã, concedeu uma possível independência da Indochina a longo prazo, para o fim da guerra, já previsível em 1943. Discutiu com Stalin, líder soviético, e Churchill, inglês, uma administração conjunta de quatro grandes potências para a Indochina. Ou seja, não queria independência para os indochineses a curto prazo. Também não queria que os franceses reassumissem as colônias. Lembrando que Vichy era o governo da França e colaborava com Hitler e Roosevelt reprovava Charles De Gaulle, o líder da França. Agentes da OSS, a predecessora da CIA, em 1943, dava armas e outros subsídios aos revolucionários de Ho Chi Minh. Isso foi uma atitude caprichosa de Roosevelt, de um meio-termo entre colonialismo e independência, foram as posições mais simpáticas dos governos dos Estados Unidos com as aspirações dos indochineses.

            Na conferência de Potsdam, em 1945, com Hitler já derrotado, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, continuou formalmente a política de Roosevelt, aceitando uma administração de grandes potências na Indochina. Mas já havia aí um governo francês livre, não marcado pelo nazismo, sob a chefia de De Gaulle, que queria manter o império do país intocado pela onda de anticolonialismo. A revolução no Vietnã se acelerou, quem quer que leia as memórias de Truman ou de seu sucessor, Eisenhower, verificará que admitem ter financiado 80% da guerra dos franceses contra as aspirações de intendência do Vietminh, o nome pelo qual o movimento de Ho Chi Minh ficou conhecido.

            Só entre 1950 e 1953, os EUA deram 3,6 milhões de dólares de auxílio aos franceses. Isso em valores de hoje (1998), equivale a cerca de vinte bilhões de dólares. É inequívoca a presença dos Estados Unidos ao lado do colonialismo e, a partir de 1954, assumindo-o na Indochina e, no Vietnã em particular, a intervenção apenas mudou de caráter no correr dos anos. De indireta passou a direta.

            Em maio de 1954 os franceses foram convincentemente derrotados na batalha de Dien Bien Phu. Um primeiro ministro corajoso, Mendes-France, decidiu negociar com Ho Chi Minh. Os Estados Unidos se opuseram. Os franceses aceitaram uma conferência em Genebra com participação da URSS, EUA, China (comunista) e França. Foi decidido que haveria uma participação entre Vietnã do Norte e do Sul e que quem não quisesse viver sob Ho Chi Minh podia ir do Norte para o Sul (860 mil foram). Não era o que os comunistas e também os nacionalistas queriam. Eles insistiram em unificar o país. A decisão das grandes potências em Genebra foi marcar eleições para dois anos mais tarde, quando o povo escolheria livremente o governo.

            John Foster Dulles, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, deixou claro que Washington não acataria essa decisão, se discordasse dela. Se recusou a apertar a mão do representante chinês, Chu En Lai. Nas memórias de Eisenhower (estamos apenas citando documentos acessíveis ao leitor brasileiro), ele deixa claro que se tivesse havido eleição, ho Chi Minh receberia 80% dos votos do povo vietnamita. Conta também que Richard Nixon, então vice-presidente, seria o líder de uma corrente dentro do governo que queria a intervenção direta dos Estados Unidos depois da derrota francesa em Dien Bien Phu. Eisenhowe resistiu à idéia porque era doutrina militar dos Estados Unidos não entrar em guerra terrestre na Ásia, em face das hordas de amarelos que já tinham criado o impasse na Coréia, na Guerra de 1950 a 1953.

            Em 1956 não houve eleição. Eisenhower sancionou o governo de Ngo Dinh Diem e família, entupindo o governo do Sul de dinheiro e outros subsídios, a maior parte canalizada para a Suiça por Diem e irmãos, mulheres e concubinas. Ho Chi Minh aceitou à força a decisão de Genebra. Foi ameaçado pela URSS e pela China (então aliada de Moscou) de corte de suprimentos (meio milhão de toneladas de arroz ao ano) se resistisse e continuasse a guerra. Moscou estava sob Kruschev, que queria estabelecer coexistência pacífica vis-a-vis Washington. E os chineses isolados pelos Estados Unidos da comunidade mundial, seguiam Moscou e também por estarem às voltas com as diversas mudanças de linha interna, sob o mercurial Mao Tsé Tung.

            Ho Chi Minh organizou o governo stalinista em Hanói, Matou milhares de trotsquistas e outros dissidentes de esquerda, o que já tinha feito em 1930, ao fundar o PC Vietnamita. É cômico que os liberais dos Estados Unidos, que o apoiaram na Guerra contra Washington, se 1960 a 1975, não pareçam saber disso. De resto, nem a direita nos Estados Unidos sugere ter conhecimento dessa história. E a direita acha que Moscou conduziu a guerra no campo de batalha. Os liberais sempre sonham com o “animal nobre” de Rousseau. Os liberais nos Estados Unidos eram pré-marxistas e robespierristas.

            É importante notar que o povo da Indochina era dividido, como quase todo o terceiro mundo, em tribos que não se amam, para dizer o mínimo. Alianças ideológicas existem, muitas vezes contra o invasor estrangeiro. A Indochina lutou cerca de 1200 anos contra os chineses. São mil e duzentos anos. Quando conseguiram a paz, brigavam entre si, tribo contra tribo. Isso explica em grande parte o recente conflito entre Hanói e o Kampuchea, nos anos 80.

            A ambivalência da URSS também precisa ser notada. Nunca a deu a Ho Chi Minh um décimo do que os aliados dos Estados Unidos receberam. Temos aí o testemunho insuspeito de Melvin Laird, Ministro da Defesa de Nixon, ao congresso em 1971. Esse auxílio era dado ou retirado de acordo com as conveniências da política externa da URSS. Foi isso que fez de Ho, até certo ponto, uma figura justificadamente lendária. Ho foi um stalinista, mas acreditava tanto no nacionalismo como no comunismo à lá Moscou. Daí ter uma flexibilidade única entre os líderes de esquerda do Terceiro Mundo. É tolice dizer que ele foi lacaio de Moscou. E igualmente tolice imaginá-lo um democrata socialista que só radicalizou por pressão da guerra contra os EUA. Ho foi o flexível líder que atraiu incontáveis nacionalistas não comunistas no Sul do Vietnã, a chamada Frente de Libertação Nacional, logo batizada de Vietcongue, comunistas do Sul.

            O fato é que reunia gente de todas as tendências anticolonialistas e que Ho sempre pretendeu, uma vez vitorioso, comunizar o país. Não se sabe o que ele teria feito em 1975, porque morreu em 1969. Mas a ambivalência da personalidade dele permanece com o herdeiros, como veremos adiante.

            Em 1960, a coexistência entre Moscou e Washington foi interrompida com o incidente do U-2, avião espião estadunidense que moscou abateu e fez Eisenhower mentir e se desmentir em público, que gelou as relações entre os dois países, gelo que continuou com o primeiro encontro entre Kruschev e Kennedy, Vietnã, 1961. Este foi o sinal verde para Ho incentivar a Frente de Libertação Nacional do Sul, contra o governo Diem. É importante notar que, de 1960 a março de 1965, não há o menor indício da presença de tropas do Vietnã do Norte no Sul. Ho manteve, portanto, a porta aberta à coexistência pacífica desejada por Moscou.

            E no Sul, a família Diem hostilizava todas as outras tribos. Os Diem eram católicos, minoria num país de budistas e outras fés orientais. Kennedy começou a estudar uma intervenção direta no Sul. Foi desaconselhado pelos generais Eisenhower e Douglas MacArthur, que dirigiu desastradamente a Guerra da Coréia. Chegou a mandar 22 mil soldados ao Sul.

            No governo Kennedy o Secretário de Defesa, Robert MacNamara, chefiava a facção do gabinete que achava possível fazer do Sul uma república liberal democrata. Mas todos os ministros, com uma exceção, o Subsecretário de Estado George Ball, pensavam assim. Havia o problema de perder o Vietnã do Sul para o comunismo. Kennedy morreu antes de decidir se ordenava uma intervenção em grande escala. O sucessor Lyndon Johnson, não parece ter tido dúvidas. Em 1964, se valendo de um misterioso incidente no Golfo de Tonkin, obteve permissão do senado para fazer o que bem entendesse.

            De 1965 a 1968 colocou 2,5 milhões de soldados dos EUA no Sul, bombardeou o Vietnã do Norte e converteu o Vietnã do Sul numa colônia dos EUA. As hesitações de Kennedy foram verdadeiras. Não há dúvida de que ele apoiou , se não comandou, o golpe contra Diem em 1963, que matou esse cavalheiro e pôs em fuga a família e asseclas do mesmo. Uma sucessão de generais ocupou o poder, de 1963 a 1965, entre os quais o Brigadeiro da Aeronáutica Cao Ky, grande admirador de Adolf Hitler, e Thieu, cuja fuga em 1975 foi registrada pelo ex-agente da CIA Frank Snepp num livro chamado “Intervalo Decente”, em que nota que a bagagem de Thieu fazia muito barulho de metais, certamente ouro e prata de grande valor, que levou para Londres, onde morava até a década passada, escondido.

            As hesitações de Kennedy nunca incluíram permitir que o Vietnã encontrasse o seu próprio destino. Para entendermos isso, é preciso voltarmos um pouco na história. O governo dos EUA, desde a década de 1930, tem como estratégia um mundo aberto ao comércio internacional sob a égide de Washington que, maior centro de riqueza, dominaria naturalmente esse enorme espaço. É uma outra doutrina que permite competição, bastando lembrar os exeplos de Japão e Alemanha Ocidental anos atrás. Mas não admite a existência de governos autárquicos que se oponham ao livre comércio e capital financeiro.

            Um exemplo definitivo disso é a reação complacente de Washington a um grupo de países subdesenvolvidos, os da OPEP, em colaboração com um único grupo estadunidense, os de óleo e energia, que impuseram ao mundo preços de combustível que mudaram uma economia em crescimento na década de 1970 para a recessão que viria a seguir, que também afetou os outros grupos dos EUA e a população em geral. Pelo capitalismo, é pos´sivel infligir os piores males aos EUA, desde que não seja por uma mudança e sistema.

            Nunca o regime de Diem ou de seus sucessores contaram com o apoio do Sul. A maioria imensa dos vietnamitas preferia um país unido sob um líder nacionalista como Ho Chi Minh. Nunca os EUA realmente levaram vantagem contra os guerrilheiros ou os soldados do Norte. Só o imenso poder tecnológico do Pentágono, manifestado em bombardeios incessantes, impedia que Hanói terminasse a guerra a qualquer momento. Os presidentes e ministros várias vezes caiam em si, ou seja, reconheciam que o movimento de independência do Vietnã era apenas isso, e não uma conspiração de Moscou. mas todos temiam perder outro país para o comunismo.

            É preciso lembrar que, na década de 1960, era crença oficial que Ho Chi Minh servia á China, que esta servia á Moscou e que, uma vez que Ho vencesse, a marcha do comunismo engoliria até as Filipinas. isso parece absurdo para quem vive em nossos dias, mas foi preciso que Nixon fosse à China em 1971 para que a extrema direita se contivesse em Washington. Um estudo da Universidade Cornell mostra que, de 1969 à 1973, os EUA jogaram mais bombas no Vietnã que todo o poder de fogo usado nas Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais e afirma que Nixon foi o autor disso.

            A essa altura, a sociedade dos EUA tinha se cindido. Milhões marchavam contra a guerra. Houve 500 mil desertores comprovados. Cerca de 2,5 milhões de jovens de exilaram. O consenso bipartidário de política externa terminou no país. As polêmicas intelectuais, a princípio dirigidas contra a guerra, começaram a criticar o próprio sistema econômico e político dos Estados Unidos. Nixon mandou invadir o Camboja em 1970, com a consequência de que Fortaleceu os comunistas contra o príncipe neutro, Shihanuk, e foram os comunistas que tomaram o poder, também em 1975. Nixon mandou invadir o Laos em 1971, e há imagens indeléveis de soldados do Vietnã do Sul fugindo dependurados nos helicópteros. Dos 58 mil estadunidenses mortos na guerra, 28 mil se forma sob o governo Nixon.

            Sob tremenda pressão social, o Congresso criou a Lei dos Poderes de Guerra em 1973, que limitou o direito do presidente de engajar tropas dos EUA em aventuras estrangeiras. Em troca dos prisioneiros estadunidenses em Hanói, Nixon retirou as tropas estadunidenses da Indochina em 1973, e negociou também, pelo famoso Kissinger, a derrota final do Regime de Saigon.

            Em 1973, Kissinger acertou com Le Duc Tho, líder de Hanói, que o Vietnã do Norte teria o dirieto de manter tropas onde estavam no Vietnã do Sul. Foi esse posicionamento que garantiu a caminhada de Hanói ao poder em 1975. Nixon negou isso até a morte.

            Alegou no livro No More Vietnams que foi o Congresso que perdeu a guerra, ao negar auxilio a Saigon em 1975. Isso quando as tropas do Vietnã do Norte já haviam tomado quase todo o país e o exército do Sul se desintegrava. Ninguém levou Nixon a sério. Em 1995, vinte anos após derrotar os Estados Unidos na Guerra do Vientã, o General Vo Nguyen Giap, 83 anos na época, contou à Folha as razões da vitória.

            Ele disse que no Vietnã havia uma tradicional doutrina militar. Lembrou que no século XIII, Tran Hung Dao recorria a armas simples contra os mongóis, estimulava a coragem, a criatividade e que na guerra contra os EUA o país não perdeu nenhum tanque porque não tinha. Giap coleciona vitórias sobre EUA, Franças, China e Japão. O general Vietnamita Vo Nguyen Giap entrou para a história como um dos maiores gênios militares de todos os tempos[iv].

            Derrotou em 1975 os Estados Unidos, a principal potência militar do século; em 1954, desferiu o golpe mortal contra o colonialismo ao vencer os franceses na célebre batalha de Dien Bien Phu. Estrategicamente nunca derrotado, também com vitórias sobre chineses e japoneses, Giap comandou suas tropas durante trinta anos; forças armadas que começaram com 34 soldados em 1944 e somaram quase 1 milhão de combatentes na década de 1970. Qualificado pelo Brigadeiro britânico Peter MacDonald como o mais brilhante líder guerrilheiro da história, Giap, 86, até recentemente vivia em Hanói, cercado por três assistentes e seus projetos de pesquisa. Saia pouco de casa, recebia cada vez menos visitas e procurava fugir do assédio da imprensa internacional, ataque que foi reforçado na ocasião do vigésimo aniversário do final da Guerra, em 1995. Nesse ano, o general concordou em, receber a Folha em sua casa de dois andares, herança do período colonial francês. O encontro, no entanto, se cercou de restrições.

            A Folha não pôde levar um fotógrafo estadunidense. Tratava-se de uma reunião de brasileiros e vietnamitas, portanto o fotógrafo devia ser brasileiro ou vietnamita, argumentou um assistente do General. Dang Bich Ha, 60 anos na época, mulher do segundo casamento de Giap, abriu a porta da sala para revelar paredes cobertas de livros e quadros, quase todos com a figura de Ho Chi Minh, o líder da Independência e da Revolução Comunista. Figura venerada no Vietnã, o General entrou na sala a passos curtos, sinal da idade, também denunciada pela voz fraca, mas sem gaguejos. Trajava a farda. As condecorações, no entanto, apareciam apenas no retrato a óleo pendurado sobre a lareira desativada. Heranças da guerra também sobreviviam no cotidiano do General: ele se levantava diariamente às 5h30  para ouvir o noticiário do rádio. Às 6h ainda fazia ginástica e duas horas depois começava a trabalhar nas pesquisas, uma sobre o pensamento de Ho Chi Minh e a outra dedicada às reformas que traziam a economia de mercado ao Vietnã[v].

            A jornada terminava às 15h30, após intervalo de duas horas para o almoço. Livre das pesquisas, Giap se embrenhava na leitura, dominada por clássicos militares, estudos de Napoleão ou Mao Tsé Tung, e também autores como Goethe, Shakespeare e Tolstoi. O nacionalismo de um general que nunca cursou uma academia militar emergia com frequentes passagens pela poesia vietnamita. naquele sábado, 18 de março de 1995, o general reorganizou a agenda para receber um jornalista brasileiro. Entrou na sala exatamente às 16h30, com uma pontualidade militar. Conversou durante 78 minutos e enfatizou que preferia falar sobre o futuro. Não alterou o tom de voz em nenhum momento, gesticulou com parcimônia, denunciando as típicas características vietnamitas de discrição e autocontrole. Reproduzimos, agora, alguns trechos da histórica entrevista à Folha do general que venceu a Guerra do Vietnã.

Folha: Há vinte anos, o Vietnã, apoiado pela URSS, vencia a guerra contra os EUA e seus aliados vietnamitas. Hoje em dia, o terceiro mundo ainda tem motivos para ir a guerras contra as atuais potências?
Vo Nguyen Giap: Acho que, depois do fim da Guerra Fria, desapareceu o perigo de grandes conflitos, mas conflitos de pequena escala ainda acontecem. As guerras realizadas pelas antigas forças coloniais viraram coisa do passado. Mesmo depois da independência, o Vietnã ainda teve que enfrentar o velho colonialismo, no conflito contra os franceses. Depois, tivemos que enfrentar a agressão neocolonialista, que foi a guerra perdida pelos estadunidenses. Depois dessa guerra no Vietnã, as forças neocolonialista não concretizaram mais nenhuma grande operação. No entanto, se as grandes guerras não existem mais, existe uma nova guerra, a guerra econômica entre nações, que está se tornando ainda mais feroz. Todos falam agora de uma nova ordem mundial. Mas que ordem? Nós queremos uma nova ordem na qual todos vivam em paz e igualdade. No entanto, há alguns países que desejam uma nova ordem dominada pelos países ricos e querem usar a ONU como instrumento para suas ambições. Olhando para trás, para a história da ONU, vemos que ela fez uma série de coisas, mas os resultados ainda são bastante limitados. Veja, não conseguimos evitar os conflitos étnicos ou regionais, como os que ocorrem na África e em países como a ex-Iugoslávia. Há países que usam o nome da comunidade internacional para dizer que querem restaurar a paz e enviam tropas a outros países, algumas vezes em nome da ajuda humanitária. acho que a paz é um fator que tende a dominar, mas a situação é bastante complicada.
Folha: Quais são os países que querem dominar a nova ordem mundial?
Giap: Falo apenas em termos gerais. Refiro-me a países que acumulam poder economico e militar. Uma questão crucial é se o colonialismo terminou ou não. Posso dizer que existe um novo neocolonialismo. Lutei contra o velho colonialismo, contra o neocolonialismo e acho que devemos estar vigilantes contra o surgimento desse novo neocolonialismo, baseado no poder econômico e no poder da tecnologia. A dominação ainda existe, mas numa forma diferente. No futuro, a revolução tecnológica vai se aprofundar. Veja o que acontece com a informática. países com alta tecnologia, donos de pequena população, vão ficar com parte significativa de renda no planeta, enquanto os países mais populosos, com tecnologia menos avançada, vão ainda ficar em estado de pobreza. Antes, no Vietnã, formamos uma frente de libertação contra a dominação e a agressão estrangeiras. Agora, o Terceiro Mundo deve defender sua independência, sua soberania, e enfrentar a pobreza e o subdesenvolvimento. E deve tentar o possível para desenvolver suas forças econômicas. Claro que, cooperando com países estrangeiros, até que desenvolva sua tecnologia própria. Apenas nessas condições a nova ordem mundial pode se estabelecer num cenário de igualdade. O aspecto mais importante para os países do Terceiro Mundo, é desenvolver sua solidariedade, para que possam defender com firmeza sua independência e soberania e buscar o desenvolvimento. Para criar uma situação estável para o progresso social e econômico, para gradualmente se aproxima no nível de desenvolvimento dos países ricos.
Vo Nguyen Giap

            Terminada a entrevista, o gravador desligado, o General Giap estendeu o braço para um aperto de mão e disse: "admiro sua profissão, também tive meus tempos de jornalismo, quando faziamos agitação política nos anos 40". Ele se referia aos seus incendiários artigos publicados no Viet lap, Um vilarejo chamado Anxa entrou para a história ao se tornar, á 28 de agosto de 1911, a terra natal de Vo Nguyen Giap, um nacionalista que, aos 13 anos, estava fichado pela polícia. Anxa, no entanto, quase sumiu do mapa durante a Guerra do Vietnã, castigada pelos insistentes bombardeios estadunidenses. Mas, na década de 10, eram os franceses os senhores do Vietnã e a família Giap, de origem camponesa, cultivava uma tradição de rebeldia contra os colonizadores.

            O pai do futuro general se envolveu em duas revoltas, uma em 1885 e aoutra em 1888, para acabar na prisão em 1919, acusado de subversivo. Morreu em sua cela. O pequeno Vo Nguyen Giap logo assistiu à morte de mais um familiar, provocada pela truculência da polícia francesa. Uma de suas irmãs foi presa, adoeceu na cadeia e foi solta em seguida. Morreu semanas depois de voltar para casa. As duas mortes deixara marcas na memória do menino que, aos 13 anos, abandonou o vilarejo natal para ir estudar em Hue, a capital da província, na escola francesa, o Lyceé Nacional. Por essa instituição passaram ainda mais dois estudantes importantes para a história contemporânea do Vientã: Ho Chi Minh, o líder revolucionário, e Engo Dinh Diem, presidente do Vietnã do Sul, entre 1955 e 1963.

            Giap continuou os estudos para, em julho de 1937, se tornar um advogado pela Universidade de Hanói, a única do país. O militante nacionalista se juntava a uma elite, já que, entre 1920 e 1945, apenas 408 vietnamitas concluíram o curso de Direito. O ano de 1937 também marcou o ingresso de Giap no partido comunista da Indochina e o início do namoro com Nguyen Thi Minh Giang, outra militante do movimento antifrancês. Quando do casamento em junho de 1938, os dois figuravam entre os dez mais importantes líderes do PC.

            A luta contra os franceses continuou a vitimar familiares de Giap. Sua cunhada, que voltou a Saigon depois de fazer um curso para revolucionários na URSS, foi presa, condenada à morte e fuzilada. Em 1940, a mulher de Giap partiu em viagem para visitar a família no interior e caiu na rede da polícia francesa. Foi condenada à 15 anos de prisão. Morreu no presídio de Hoalo, em 1943, quando o marido Giap organizava o embrião do Exército Vietnamita. Ele, ao receber a notícia, não esboçou nenhuma reação. Mas, depois, reconheceu que a perda foi um golpe sem igual. Com Nguyen Thi Minh, Giap teve uma filha que, com a morte da mãe, foi criada pela avó. Depois, em seu segundo casamento, o general teve quatro filhos.

            A Segunda Guerra Mundial enfraqueceu o poder colonial da França e depois abriu caminho para a invasão japonesa do Vietnã. Os comunistas de Ho Chi Minh abandonaram a agitação de antes e mergulharam em suas primeiras aventuras mlitares. Em 1940, dois de seus ajudantes, Pahn Van Dong e Giap, foram para a China aprender téticas de guerra com os comandados de Mao Tsé Tung.

            Setembro de 1944 entrou para a história do Vietnã Comunista como mês de nascimento do Vietminh, o braço armado do movimento nacionalista. Seu primeiro comandante: Vo Nguyen Giap. A ação de batismo foi deslanchada no Natal de 1944. Os 34 comandados de Giap se lançaram contra dois postos franceses e, como resultado final, dois tenentes mortos e rendição dos inimigos. Em junho de 1945, os homens do Vietminh, então já com 5 mil e munidos de armamento obsoleto, centraram fogo contra o invasor japonês. Os EUA, interessados em acelerar a derrota do Japão, forneceram um arsenal mais moderno ao futuro inimigo Giap, numa das ironias que recheiam a história. A 28 de agosto de 1945, as tropas vietnamitas entravam em Hanói, vitoriosas e livres de japoneses e franceses.

            Mas era apenas a primeira fase de uma luta que se retomaria com a volta da França e suas ambições coloniais.

            Após a Guerra, o Vietnã unificado se tornou completamente stalinista. Centenas de milhares de pessoas fugiram desse regime severo e brutal. No Camboja, agora Campuchea, os comunistas mataram cerca de 30% da população, considerados indesejáveis. O Laos foi colonizado pacificamente por Hanói. Muitos liberais se chocaram com esses resultados e se arrependeram de ter apoiado a revolução vietnamita. Os sucessores de Ho Chi Minh, Le Duc Tho, Le Duan e Kiett, depois de perpetrarem os habituais horrores stalinistas, ficaram, à partir de 1984, reexaminando a situação. Ao tomarem o poder, deram um fim à iniciativa privada, criaram projetos de faraônicos de energia e outros para a população camponesa. Destruíram a economia de consumo do Vietnã do Sul, considerando-a relíquia podre do capitalismo e estabeleceram um estado policial. Mas o bom senso e a flexibilidade que Ho Chi Minh demonstrou em vida tinham chance de prevalecer. O Vietnã é rico em recursos minerais. Não poderia explorá-los sem capital e tecnologia do mundo capitalista. As fábricas que montaram com tecnologia soviética do leste europeu já nasceram obsoletas. Apesar  disso tudo, a vit´roia vietnamita não abalou a liderança e riqueza dos Estados Unidos a ponto de crise fatal.

            A guerra provou algumas coisas: o nacionalismo é a maior força ideológica no mundo no fim do século XX. Os vietnamitas são mesmo os guerreiros indômitos descritos em lenda. A atitude de Reagan em relação à Nicarágua comprova o que disse Santayana[vi]: "A única lição da história é que nada se aprende da história". Nem mesmo a fantasia dominante nos EUA, de que a tecnologia tudo pode, foi abalada com a guerra. Uma incrível batalha em que o maior impe´rio tecnológico do mundo foi derrotado por legiões de primitivos camponeses.
           




[i] Por questão de respeito a todos os americanos, sejam norte, centro ou sul americanos, onde se originalmente se lia “americano” ou “norte-americano”, substituímos por “estadunidense”, uma vez que por “norte-americanos” também entendemos os canadenses e mexicanos.

[ii] Entre 2005 ou 2006, Calley se divorciou de sua esposa, Penny, cujo pai o tinha empregado no V.V. Vick em Columbus, na Geórgia, desde 1975, e mudou-se para o centro de Atlanta para viver com seu filho, William Laws Calley III.  Em outubro de 2007, Calley concordou em ser entrevistado pelo jornal britânico Daily Mail para discutir o massacre, dizendo: "Encontre-me no saguão do banco mais próximo na hora de abertura amanhã e me dê um cheque certificado por US $ 25.000, Falarei com você por exatamente uma hora." Quando o jornalista chegou para questionar Calley sem um cheque, Calley saiu.
Em 19 de agosto de 2009, enquanto falava para o Kiwanis Club of Greater Columbus, Calley emitiu um pedido de desculpas por seu papel no massacre de My Lai. Calley disse:
“Não há um dia que passa que eu não sinto remorso para o que aconteceu naquele dia em My Lai. Sinto remorso pelos vietnamitas mortos, pelas suas famílias, pelos soldados americanos envolvidos e pelas suas famílias. Eu sinto muito... Se você está me perguntando por que eu não resisti a eles quando me deram as ordens, eu vou ter que dizer que eu era um 2o Tenente recebendo ordens do meu comandante e eu as segui tolamente, Eu acho.”

[iii] Acredita-se que durante a Ofensiva do Tet, entre forças do Exército do Vietnã do Norte e a guerrilha Vietcongue, foram mobilizados mais de 80 mil homens. Depois de recuperadas da surpresa, as forças dos EUA e do Vietnã do Sul começaram uma contra ofensiva que levou à baixas na casa dos 60% para os agressores. Militarmente, o Tet foi uma derrota para o Vietnã do Norte, mas a vitória foi política já que as imagens da guerra, a crueldade e o caso de execução envolvendo o General Loan levaram a opinião pública dos EUA a desejar o fim do envolvimento. Se tornou uma guerra impopular e mais: o fato de a inteligência dos EUA ter sido feita de boba tirou a credibilidade do governo. Se o Tet não teve o efeito militar esperado, teve o efeito político que levou ao fim da guerra, o que torna a ofensiva um sucesso. Como disse o General Nguyen Dinh Uoc: "Não perdemos nada porque ganhamos tudo. A reunificação era a única coisa que importava." http://acertodecontas.blog.br/economia/vencemos-os-eua-porque-soubemos-engana-los-diz-ex-chefe-da-propaganda-do-exercito-do-vietna/

[iv] Giap faleceu no dia 4 de outubro de 2013, em um Hospital Militar em Hanoi, onde ele estava internado há quase quatro anos, aos 102 anos de idade. “Derrotamos os franceses porque eles eram arrogantes. Derrotaremos os americanos porque eles são muito mais arrogantes que os franceses”. Atribui-se a ele uma resposta ao comandante estadunidense  durante a assinatura dos tratados de paz sobre "Você sabe que, na verdade, vocês nunca nos venceram militarmente, não sabe?", ao que respondeu "Isso é verdade. Mas dado o resultado desta reunião, isso é irrelevante." Isso só confirmou que a guerra é apenas fazer política por outros meios e que quem ganha ou perde é uma questão política.
[v] A abertura do mercado do país, chamada de “Doi Moi”, nos anos 1980, marcou o início do esforço para um crescimento superior a 7 por cento, que diminuiu nos últimos anos após um aumento da inadimplência em empresas estatais. Nesse momento, o Vietnã é cotado a ser um dos Novos Tigres Asiáticos, com grande investimento de capital estrangeiro e por ter mão de obra mais barata que a da China, entre outros fatores. Mais informação em http://exame.abril.com.br/economia/bom-dia-vietna-pais-pode-se-tornar-novo-tigre-asiatico/

[vi] George Santayana, pseudônimo de Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás (Madri, 16 de dezembro de 1863 - Roma, 26 de setembro de 1952), foi um filósofo, poeta, ensaísta e romancista.

Thursday, April 21, 2016

HasCon - Hasbro Convention: melhora ou piora para a franquia G.I. Joe?



Essa semana diversos sites de colecionismo ligados às franquias da Hasbro Inc. noticiaram que a empresa entrou com pedido de registro da HasCon, a Hasbro Convention na United States Patent and Trademark Office. Isso tornou essa marca a mais falada entre os fãs e abriu um leque de especulações e procura de respostas às perguntas mais frequentes: como ficam as convenções de Transformers e G.I. Joe, a BotCon e a JoeCon, respectivamente.

Como já comentamos em matéria anterior, a Hasbro não renovará com a Fun Publications, a atual administradora dos dois fã clubes, sua parceria de licenciamento para Tranformers e G.I. Joe, o que deixou dúvidas sobre o destino das duas convenções para 2017. Agora, logo após a conclusão da BotCon 2016 surge essa nova informação.

A descrição do pedido é essa:

“Organizing and conducting conventions, exhibitions, fan clubs and gatherings for entertainment purposes and in the fields of toys, animation, comic books, fantasy, gaming, popular culture, science fiction, television and film”
"Organizando e conduzindo convenções, exibições, fã clubes e encontros com propósitos de entretenimento e nos campos de brinquedos, animações, quadrinhos, fantasia, games, cultura pop, ficção científica, televisão e filmes."
Podemos perceber duas coisas: 1 - a Hasbro percebeu o enorme negócio das Convenções de cultura pop e nerdice, como San Diego Comic Con, a New York Comic Con e resolveu seguir os passos da Disney que criaou a sua própria Con e ano passado levou menos coisas para outras convenções para poder apresentar sua D23, lembrando que, se você tem tanto conteúdo, por que dividir tudo com os outros em vez de ter tudo pra vc?; 2 - a preocupação de ter todos os licenciamentos de seus produto debaixo de seu guarda-chuva, tirando qualquer dúvida da origem de seus produtos e evitar qualquer disputa. Não que a Hasbro vá ter os mesmos problemas que a Marvel para tentar juntar todos os seus personagens no mesmo estúdio, mas nenhum problema é melhor do que um problema qualquer.
Estrategicamente, faz todo sentido, já que a Hasbro tem marcas suficientes para rechear o evento e, lembre-se, é uma das maiores, se não a maior, fabricantes de jogos de tabuleiro do mundo. Battleship, o Batalha Naval, já virou filme (ruim) e pretendem fazer um de Monopoly (Banco Imobiliário). É dona do Meu Querido Poney e de mais um sem número de produtos. Já canal de animação e divisão de games. Então, sim, a Hasbro tem recheio para uma Convenção e poder atingir seu público diretamente e causar impressão.    
Mas o que isso significa para o colecionador de G.I. Joe? 
Talvez não signifique muito, já que a Hasbro anunciou recentemente que vai "renovar" a franquia pois soldados combatendo terroristas mascarados causam mal estar na vítimas do ISIS e não é isso que eles querem para sua linha de brinquedos. Dessa forma, além de ter tido pouca representatividade no mercado nos últimos tempos (Tá vendendo pouco, sim), a linha de soldadinhos pode ficar um tempo na geladeira. Por outro lado, vendo que mesmo sendo caros os exclusives do GIJCC vendem, a Hasbro pode inventar uma linha totalmente nova somente de exclusivos para colecionadores e, como se propõe a gerenciar fã clubes, pode criar o seu próprio fã clube e sua linha de mail-ins pode voltar. Só há um receio sobre o que vão lançar para esse novo mercado politicamente correto, já zumbis não deram certo e talvez repetir a receita de dinossauros e/ou espaço talvez esteja gasta. Vale lembrar que antes da organização Cobra, o único inimigo do G.I. Joe foi o Intruder, o troglodita espacial que enfrentava o G.I. Joe Action Team espacial nos anos 70, pois mesmo como soldado, a Hasbro nunca produziu o inimigo pois não queria fazer apologia aos soviéticos. Agora se repete não querendo fazer apologia ao ISIS.  
Evidentemente, uma HasCon hoje vai se voltar aos produtos mais rentáveis, como Transformers e os licenciamentos da Marvel e Star Wars. No entanto, tal evento é um trampolim de marketing para o futuro universo cinematográfico planejado pela Hasbro e a Paramount apresentando e renovando franquias de MASK, Visionaries e ROM, o Cavaleiro do espaço, que tem sua primeira capa junto com Transformes agora no mês que vem. Sem contar que temos filmes de Transformers previstos até 2019, com pelo menos dois da trupe toda e um solo do Bumbblebee. Nem falemos de todos os desenhos animados relacionados a eles depois. 
Para o Brasil, o mistério é ainda maior. Fiquei sabendo recentemente que as convenções da Barbie no Brasil realizadas com patrocínio da Mattel vetam a presença dos produtos da Estrela SA, a licenciada para o produto de 1982 à 1995, produzindo diversos itens exclusivos brasileiros meio que banidos do evento. Observando isso e sabendo que a marca "Comandos em Ação" é de propriedade da Estrela SA no Brasil assim como da marca "Falcon", corremos o risco de ter toda a linha nacional produzida entre 1984 e 1995 excluída dos eventos, uma vez que o relacionamento da duas empresas não é bom desde as histórias conhecidas de perdas de moldes de injeção, problemas com os licenciamentos, etc. E como a marca que se conhece aqui é a da Estrela, G.I. Joe precisaria de uma construção da marca que dificilmente ocorrerá sem uma animação que apoie a linha de brinquedos, quadrinhos, games e outros mídias que reforcem a marca. Os dois longa metragens para cinema embora não sejam prejuízos não foram bilheterias impressionantes, apenas serviram para manter a franquia viva para um terceiro filme, hoje sem novidades de produção. 
O relacionamento da Hasbro Brasil com os fãs de Transformers é ótimo, inclusive tiveram uma exposição itinerante por shopping centers que contou com o acervo de diversos colecionadores. E um dos principais ilustradores de Transformers é o brasileiro Marcelo Mattere, conhecido nosso. Infelizmente nós, fãs de G.I. Joe, não tivemos a mesma deferência, já que nunca houve apoio ou presença da Hasbro a nenhuma de nossas convenções, mesmo com a divulgação e pedido de presença (nem foi pedida, ajuda de qualquer forma, imagina se pedissem). Até hoje recordo como o Luis Paulo, dono do Arsenal 51 e o casal Pedro e Mariana, proprietários da extinta Taverna do Ogro Encantado, foram tratados com pouca importância pela Paramount na época do lançamento do filme G.I. Joe: Retaliation, quase como mendigos, para conseguir alguns posters e ingressos para sorteio no evento de warming que foi realizado na época. 
Então, meu amigo colecionador de G.I. Joe, se você acha que não sabe o que é pertencer a uma minoria, lamento de dizer que você sabe, sim.
P.S.: Claro que sem a Hasbro confirmar, tal evento ainda é uma especulação. Até o momento, é só um pedido de registro de marca. Mas...




Tuesday, April 12, 2016

Conquest X-30 - De onde veio?

De onde veio o X-30 Conquest do G.I.Joe?

Aviões com asas de enflechamento negativou ou asas enflechadas para frente foram uma febre experimental na década de 1980, embora o conceito tenha surgido nas pranchetas dos engenheiros na década anterior. Fora o SU-37/47 Berkut russo que é bem posterior, somente o X-29 voou, Por isso vamos falar dele.  


X-29 Aeronave de Demonstração de Tecnologia Avançada







A Aeronave Demonstradora de Tecnologia Avançada X-29 sobrevoa terreno deserto próximo a NASA Dryden.
  
Duas aeronaves X-29, apresentando um dos mais inusitados designs na história da aviação até então, surpreenderam quando voaram para a Instalação de Pesquisa de Voo da NASA Ames-Dryden (NASA Ames-Dryden Flight Research Facility, hoje o Dryden Flight Research Center – Centro de Pesquisa de Voo Dryden), em Edwards, Califórnia, como demonstradores de tecnologia para pesquisar conceitos e tecnologias avançados. O programa multifaseado foi conduzido de 1984 a 1992 e proveu um banco de dados de engenharia disponível para o design e desenvolvimento de futuras aeronaves.

O X-29 quase parecia que ia voar para trás.Suas asas foram removidas e montadas bem na parte de trás da fuselagem, enquanto os canards, os estabilizadores horizontais para controlar o arrasto, foram parar na frente das asas em vez de na cauda. A complexa geometria das asas combinada com os canards provia uma manobrabilidade excepcional, performance supersônica e uma estrutura leve. O ar se movendo nas asas enflechadas para frente tende a fluir para raíz da asa em vez de para suas pontas como ocorre com asas de enflechamento padrão. Este fluxo de ar  reverso não permitia que as pontas das asas e seus ailerons estolassem (perdessem elevação) a altos ângulos de ataque (direção da fuselagem em relação ao fluxo de ar).

Os conceitos e tecnologias explorados pelo caça X-29 vão do uso de materiais compostos na construção da aeronave, superfícies da asa de cambagem variável, o modelo único de asas de enflechamento negative e o seu fino aerofólio supercrítico;  strike flaps, canards monobloco, e o Sistema de voo computadorizado fly-by-wire para manter o controle da aeronave em caso de instabilidade de voo.

Os resultados da pesquisa mostraram que a configuração de asas de delta negativo, completadas por canards móveis, dava aos pilotos excelente resposta de controle até um ângulo de ataque de 45º. Durante seu histórico de voo, os X-29s voaram em 422 missões de pesquisa – 242 pela aeronave nº 1 na Fase 1 do programa; 120 voos pela aeronave nº 2, na Fase 2; e 60 voos de acompanhamento na Fase “Controle de Vórtex”. Um adicional de 12 voos de não pesquisa com o X-29 nº 1 e 2 voos de não pesquisa com o X-29 nº 2 elevam o número total de voos com as duas aeronaves para 436.


 História do Programa

Antes da Segunda Guerra Mundial, existiram alguns planadores com asas de enflechamento negativo, e a NACA Langley Memorial Aeronautical Laboratory, Hampton, VA, fez alguns testes do conceito em túnel de vento em 1931. A Alemanha desenvolveu uma aeronave de enflechamento negativo motorizada durante a guerra, que ficou conhecido como o Ju-287. O conceito, entretanto, não foi bem sucedido porque a tecnologia e os materiais não existiam para construir asas rígidas o suficiente para suportar as forças de flexão e torção sem fazer uma aeronave pesada demais.
Ju-287


Ju-287 - Perfis

A introdução de materiais compostos na década de 1970 abriu um novo campos de construção de aeronaves, tornando possível desenhar  fuselagens mais robustas e estruturas mais fortes do que as feitas de materiais convencionais e, ainda, mais leves e capazes de suportar tremendas forças aerodinâmicas.
Todo protótipo é um trabalho artesanal. Aqui, o engenheiro prepara a caixa da asa principal para testes de fixação após a montagem, sendo os revestimentos de grafite-epóxi fixados a uma estrutura interior de titânio e liga de alumínio. As linhas de giz indicam a localização dessas juntas.

A construção dos X-29’s e sua asa supercrítica e fina só foi possível pelo uso de compósitos. O estado da arte em compósitos permite entrelaçamento aeroelástico, que permite que à asa alguma curvatura, mas limita a torção e elimina a divergência estrutural dentro do envelope de voo (isto é, deformação da asa ou quebrar em voo).



Fase de montagem final em fins de 1983. Embora estruturalmente completo, o avião está ainda sem quase a metade das peças, incluindo motor, os sistemas de controle e toda a instrumentação. 




Um dos primeiros modelos no túnel de vento, ainda o modelo inicial.

Em 1977, o Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA, Agência de Pesquisa de Projetos Avançados e Defesa) e o Air Force Flight Dynamics Laboratory (Laboratório de Dinâmica de Voo da Força Aérea, agora Wright Laboratory), na Base da Força Aérea de Wright-Patterson, Ohio, emitiu propostas para a pesquisa de aeronaves desenhadas para explorar o conceito de asas de enflechamento negativo. A aeronave também pretendia validar estudos que poderiam prover melhores controles e qualidades de elevação em manobras extremas e possibilitar a diminuição do arrasto aerodinâmico assim como voos mais eficientes em velocidades de cruzeiro.
O X-29 dentro da Grumman era denominado G-712. 

Dentre muitas propostas, a Grumman Aircraft Corporation foi escolhida em dezembro de 1981 para receber um contrato de construção no valor de US$ 87 milhões, para construir duas aeronaves X-29. Eles deveriam ser os primeiros novos aviões da Série X em mais de uma década. O primeiro voo do X-29 no. 1 aconteceu em 14 de dezembro de 1984, enquanto que o do no. 2 ocorreu em 23 de maio de 1989. Ambos os primeiros voos decolaram da Ames-Dryden FLight Research Facility, da NASA, posteriormente renomeada Dryden Flight Research Center.


O SFW/F16 da General Dynamics, que foi rejeitado 


O X-31, maquete da Rockwell, outro projeto que foi rejeitado

Sistema de controle de voo
As superfícies de controle de voo no X-29 eram canards montados para frente, cada um dividindo a carga de ascensão com as asas e provendo o passo primário de controle; os flaperons das asas (uma combinação de flaps e ailerons), usados para alterar a curvatura da asa e funcionavam como ailerons para controle de rolagem, quando utilizado de forma assimétrica; e os strake flaps em cada lado do leme, que aumentou os canards com controle de passo. As superfícies de controle foram ligadas eletronicamente a um sistema triplo redundante digital de fly-by-wire de controle de vôo (com um back up analógico) que proporcionou estabilidade artificial.

O design particular do canard monobloco, especial  para as asas enflechadas para a frente usado no X-29 era instável. O sistema de controle de voo do X-29 compensou essa instabilidade detectando condições de vôo, tais como atitude e velocidade, e através de processamento do computador, ajustado continuamente as superfícies de controle com até 40 comandos por segundo. Este arranjo foi feito para reduzir o arrasto. Aeronaves  de configuração convencional alcançam a estabilidade, equilibrando levantamento de cargas na asa com cargas opostas para baixo na cauda com um custo de arrasto. O X-29 evitou esta perda de desempenho em arrasto por meio de sua estabilidade estática relaxada.
Cada um dos três computadores de controle de vôo digitais tinham um backup analógico. Se um dos computadores digitais falhasse, os dois restantes assumiriam. Se dois dos computadores digitais falhassem, o sistema de controle de voo era comutado para o modo analógico. Se um dos computadores analógicos falhasse, os dois computadores analógicos restantes assumiriam. O risco de falha total dos sistemas foi equivalente no plano X-29 com o risco de falha mecânica em um sistema convencional.

Fase 1 dos Voos

A aeronave No. 1 demonstrou em 242 voos de pesquisa que o ar que se move sobre a asa enflechada para frente fluía para dentro, e não para fora como faz em uma asa convencional. Dessa forma as pontas das asas permanecem instaladas nos ângulos moderados de ataque voadas pelo X-29 No. 1. A Fase 1 de voos também demonstrou que a asa aeroelástica sob medida, de fato, impediu a divergência estrutural da asa dentro do envelope de vôo, e que a normas de controle e eficácia da superfície de controle eram adequadas para proporcionar estabilidade artificial para esta aeronave que, de outra forma, seria  extremamente instável e forneceu boa qualidades de manobra para os pilotos.
O aerofólio supercrítico da aeronave também aumentou capacidades de manobra e de cruzeiro no regime transônico. Desenvolvido pela NASA e originalmente testado em um F-8 em Dryden na década de 1970, aerofólios supercríticos – mais planos na superfície superior da asa do que aerofólios convencionais –  atrasou e suavizou o aparecimento de ondas de choque na superfície superior da asa, reduzindo o arrasto. A Fase 1 de voos também demonstrou que o avião poderia voar com segurança e confiabilidade, mesmo em curvas fechadas.


Fase 2 de Voos
O X-29 No. 2 foi usado para pesquisar o alto ângulo da aeronave e as características de ataque e a utilidade militar de sua configuração alar/canard voltado para frente durante 120 vôos de pesquisa. Na Fase 2, voando a até 67 graus de ângulo de ataque (também chamado de alta alfa), a aeronave demonstrou um controle muito melhor e qualidades de manobra do que os métodos computacionais e modelos de simulação haviam previsto. O X-29 No. 1 foi limitado a 21 graus de ângulo de manobra de ataque.
Durante a Fase 2 de voos, NASA, Força Aérea e os pilotos do projeto Grumman informaram que a aeronave X-29 teve excelente resposta de controle a 45 graus de ângulo de ataque e controlabilidade ainda limitada a 67 graus de ângulo de ataque. Esta controlabilidade em altas ângulos de ataque pode ser atribuída ao design único do canard da aeronave de asas de enflechamento negativo. As normas de controle de vôo de alto ganho concebidas pela NASA /Força Aérea também contribuíram para as boas qualidades de vôo.
Os conceitos de normas de controle de vôo utilizados no programa foram desenvolvidos a partir de testes de vôo rádio controlado de um modelo X-29 em queda de 22% em Langley Research Center da NASA, Hampton, VA.
O design detalhe foi realizado por engenheiros em Dryden e Air Force Flight Test Centera na Base Aérea de Edwards. O X-29 alcançou a sua alta capacidade de controle alfa sem aumentar os flaps de borda sobre as asas para elevação adicional, e sem palhetas móveis no bocal de escape do motor para mudar ou "vetorizar" o sentido do impulso, tais como aqueles usados no X-31 e o F-18 Veículo de Pesquisa para Grande ângulo de Ataque. Os pesquisadores documentaram as características aerodinâmicas do avião em ângulos de ataque elevados durante esta fase usando uma combinação de medições de pressão e visualização do fluxo. Os dados do teste de vôo da fase de alto ângulo de ataque/utilidade  militar do programa X-29 satisfaria o objetivo principal do programa X-29 em sua avaliação de  capacidade – desenvolver tecnologias para melhorar o desempenho da missão de futuras aeronaves de combate.
Painel do X-29, típico de sua época.

Controle de Fluxo de Vórtice

Em 1992, a Força Aérea EUA iniciou um programa para estudar o uso de controle de fluxo de vórtice como um meio de proporcionar maior controle de aeronaves em ângulos de ataque elevados, quando os sistemas de controlo de voo normais são ineficazes.

O X-29 N ° 2 foi modificado com a instalação de dois tanques de nitrogênio de alta pressão e válvulas de controle com dois pequenos jatos de tubeiras situadas na parte superior para a frente do nariz. O efeito das modificações consiste em injetar o ar para os vórtices que fluem fora do nariz da aeronave em ângulos de ataque elevados.
Em testes em túnel de vento do Air Force's Wright Laboratory e da Grumman Corporation mostrou que a injeção de ar para os vórtices mudaria a direção do fluxo de vórtice e criar forças correspondentes no nariz da aeronave para mudar ou controlar o cabeceamento nariz.
De maio a agosto de 1992, 60 vôos demonstraram com sucesso o controle de fluxo de vórtice (VFC). VFC foi mais eficaz do que o esperado em forças geradas em guinada (da esquerda para a direita), especialmente em ângulos maiores de ataque onde o leme perde eficácia. VFC foi menos bem sucedido em fornecer controle quando o sideslip (vento relativo empurrando na lateral da aeronave) estava presente, e fez pouco para diminuir balanço de oscilação da aeronave.


Sumário
No geral, VFC, como as asas enflechadas para frente, mostrou uma promessa para o futuro do design de aeronaves. O X-29 não demonstrou a redução global no arrasto aerodinâmico que estudos anteriores haviam sugerido, mas esta descoberta não deve ser interpretada como significando que um design mais otimizado com asas para frente não poderia proporcionar uma redução no arrasto. No geral, o programa X-29 demonstrou várias novas tecnologias, bem como novos usos de tecnologias comprovadas. Estes incluíram: alfaiataria aeroelástica para controlar a divergência estrutural; usar de um relativamente grande canard, próximo e acoplado para o controle longitudinal; controle de uma aeronave com extrema instabilidade enquanto continua a fornecer boas capacidades de manobra; usar do controle longitudinal de superfície tripla; uso de um flaperon com dupla dobradiça para altas velocidades supersônicas; controlar a eficácia de alto ângulo de ataque; controle vórtice; e utilidade militar da concepção global.

 A Aeronave

Tipo - Aeronave Experimental de demonstração de combate aéreo.
Motor - Um turbofan com pós-combustor General Eletric F4O4-400, na faixa dos 7.258 kg de empuxo
Dimensões - Envergadura: 8,29 m; comprimento (incluindo a sonda): 16,44 m; altura: 4,36 m; área alar: 17,54 m².
Peso - Vazio: 6.054 kg; máximo: 7.848 kg.
Desempenho - Velocidade máxima nivelado: aproximadamente Mach 1.9 ou 2.019 km/h. 

E o X-30?


Vários outros projetos de aeronaves com asas em enflechamento negativo foram projetadas. A única  a voar depois do X-29 foi o SU-37/47 Berkut da Rússia, uma aeronave muito bela, diga-se de passagem. Mas é uma aeronave nova, dos anos 2000. Seu primeiro voo foi em 1997 e a fase de testes concluída em 2001. Berkut significa "águia dourada". Foram produzidas, também duas aeronaves e,  ao contrário do X-29, estas foram armadas e testadas como vetores de armamento. 

SU-47, anteriormente, SU-37, o Berkut, Äguia Dourada
Concepção artística do SU-47

Mas o X-30 Conquest, o nosso Míssil Supersônico da Estrela, é de 1986. Logo, apesar de ser um biturbina com dois lemes, não é baseado exatamente no X-29, um monoturbina de um único leme, fora que os canards são enflechados para trás, e não estruturas monobloco que juntas seriam hexagonais. Então, de onde vem? Se você ofr procurar mais, vai ver que muitos dos conceitos do X-30 foram aplicados na maquete do X-31 da Rockwell, o avião que nunca foi construído.

Design do X-31 da Rockwell


A maquete do X-31 deixa bem clara uma linha compartilhada de projeto com o X-30 Conquest do G.I. Joe
Mas ainda assim, faltam conceitos aí. Então, se procurarmos mais projetos de FSW da Grumman, encontramos mais dois desings e um deles á claramente quase o X-30, excetuando as tomadas de ar do motor e os lemes, que no conceito, também estão voltados para frente. 
Neste conceito, temos muito do X-30, incluindo a cabine, a estrutura alar e os lemes duplos.


Esta outra arte mostra um caça mais pesado, provavelmente um bombardeiro
Analisando os conceitos, podemos ver claramente que o X-30 é uma mescla tanto do X-30 quanto dos projetos da Grumman, apresentado a tomada de ar do motor no ventre da aeronave, como no X-31, além dos canards voltados convencionalmente para trás, assim como os lemes. O formato das asas e lemes duplos, vem do projeto da Grumman. A ausência de cabides de armas nas pontas das asas vem do projeto do Rockwell, já que o projeto da Grumman previa armas nas pontas das asas. Os estabilizadores traseiros são um adição da Hasbro, mesmo, talvez para compensar os canards muito pequenos da aeronave, mas também para dar uma silhueta mais ameaçadora para o brinquedo. 
O Blueprint do X-30. Perceba os detalhes da silhueta da aeronave que a toram muito prática como uma aeronave de ataque e não um caça.

O sistema de armas é evidentemente baseado em mísseis fictícios, mas tal aeronave seria armada com uma enorme gama de armas tanto para defesa quanto para ataque e creio que seria uma bem sucedida aeronave leve de combate, mas também uma excelente aeronave que apoio aéreo aproximado e ataque ao solo, inclusive pelas sugeridas duas metralhadoras no nariz da aeronave na parte superior, logo à frente do cockpit, como nas aeronaves mais antigas, das Grandes Guerras. Outro indício disso é a boca de tubarão desenhada, mais usada em aeronaves de ataque do que em caças.









Recentemente reformei e customizei um X-30 e corrigi a falta de armamento nas pontas das asas e em breve devo substituir os míssies fictícios por armamento mais próximo do real que, talvez, eu acabe tendo que fabricar. Por hora, o resultado me pareceu bom. 





O piloto tem um ar antiquado, mesmo com um traje pressurizado mais adequado para os voos em força G que os giros dessa aeronave de proporcionar. O formato do capacete, principalmente, lembra mais os capacetes de couro dos ases da Primeira Guerra Mundial do que um capacete moderno e sem aparente preparo para receber máscara de ar. Isso é uma falha importante, pois um piloto de caça precisa da máscara tanto quanto do uniforme de voo que faz pressão nos membros inferiores e abdômen para evitar que o sangue pare de circular corretamente e cause inconsciência por falta de oxigenação do cérebro, entre outros problemas. Nesse caso, a figura tem mais um ar romântico do que prático, embora o esquema de cores seja agradável, é incorreto, já que o uniforme creme é mais usados pro alguns grupos de pilotos britânicos, e náo estadunidenses e o marrom do capacete volta, claramente, a questão de capacetes de couro clássicos. 

O X-30 Conquest foi lançado nos EUA em 1986, vendido em 1987 e descontinuado em 1988. A forma foi usada para relançamentos e repaints, em 1989, a versão "naja" ou "pythonized", 1998, camuflada verde, 2003, em camuflado cinza e branco, 2008 para a coleção de 25th e 2009 o Python 25th.


















Como estamos falando de aeronaves de asas invertidas. ainda nos anos 80, Katsuhiro Otomo mostrou esse conceito em uma aeronave embarcada estadunidense para o seu mangá Akira. Eu considero uma das mais belas aeronaves já desenhadas e levo em conta estar 15 anos à frente do Berkut. O mangá não trás o nome ou designação da aeronave, mas o desenho é ótimo e me inspira em transformar uma velha carcaça do F-14 do G.I. Joe em algo assim. Qualquer hora dessas, quem saber. Então acrescente essa série de páginas do mangá como referência.















Fontes:
Guias de Armas de Guerra - Aviões do Futuro
http://www.nasa.gov/centers/armstrong/news/FactSheets/FS-008-DFRC.html#.VN63GfnF81M
http://en.wikipedia.org/wiki/Grumman_X-29
https://www.youtube.com/watch?v=2CUyoi634wc